quarta-feira, 13 de junho de 2012

A importância da Avaliação Psicológica para Motoristas

No ano de 1951 entrou em vigor no Brasil a exigência de avaliação psicológica para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação; o processo ficou conhecido como Psicotécnico, em 1998, com a criação do Novo Código de Trânsito, o processo passou a ser denominado Avaliação Psicológica Pericial de Motoristas. No Paraná, a avaliação psicológica é exigida na obtenção da primeira habilitação, na renovação da mesma, nos casos de reabilitação por pontuação ou por envolvimento em acidentes. Salvo esses casos, a avaliação psicológica será considerada por tempo indeterminado para o indivíduo que obteve a Carteira Nacional de Habilitação; isso significa dizer que essa avaliação será mantida como válida por toda a vida do avaliado, independentemente de todas as transformações pelas quais ele passará ao longo desse tempo. 

Uma grande parcela dessas pessoas ingressará no mercado de trabalho, parte delas escolherá atuar em profissões onde se utilizará de veículos automotores na execução de suas atividades. E provavelmente, um número significativo desses profissionais não passará por nenhum tipo de avaliação psicológica que revele como se encontram em relação às suas condições atuais para a direção veicular. 

Aqui, vale lembrar que o ato de dirigir não é de forma alguma, um “direito adquirido”, há provas suficientes de que a condução de um veículo exige habilidades bastante específicas e infelizmente, nem todos as tem e, portanto, muitas pessoas não apresentam condições físicas ou emocionais para assumir essa responsabilidade. Basta um breve olhar nos noticiários diários e se tem mais comprovações desse fato, pois é de largo conhecimento que a maioria dos acidentes de trânsito são causados principalmente por fatores humanos. 

Não se trata de questionar a habilidade dos profissionais do volante, mas sim, de validar a importância da realização de avaliações psicológicas que previnam o ingresso dos que não estejam devidamente preparados ou não apresentem o perfil adequado à atuar profissional entre os demais. 

É importante enfatizar que a Avaliação Psicológica deve ser realizada exclusivamente por psicólogos e é um processo com embasamento técnico-científico, produzido por métodos, instrumentos e técnicas que favorecem o conhecimento de características referentes às capacidades cognitivas, emocionais e habilidades específicas do avaliado e permitem a interpretação dessas informações, resultando num diagnóstico direcionado a um objetivo e situação para a qual foi planejada. 

Em se tratando de mercado de trabalho, a utilização de avaliações psicológicas é significativa em qualquer tipo de processo seletivo, pois a investigação de características psicológicas antes da contratação profissional facilita a escolha de pessoas com perfis mais adequados às exigências das empresas, e isso, certamente oferece vantagens como a localização e retenção de talentos no quadro de colaboradores, maior possibilidade de adaptação, redução de demissões, etc. 

No caso específico dos profissionais condutores de veículos automotores, principalmente nos que atuam diretamente o transporte de bens ou de pessoas, as avaliações psicológicas têm peso fundamental, afinal, os motoristas são profissionais submetidos ao constante e acentuado estresse do trânsito dos dias de hoje, e a partir do ingresso numa empresa, passam a ter nas mãos, na maioria das vezes, um veículo de alto custo, que não é de sua propriedade, assumem atribuições e exigências de um determinado cargo e devem atuar mediante regras e normas específicas de uma corporação, seu empregador. Tais condições reunidas, certamente elevam sua responsabilidade e representam um acréscimo na pressão cotidiana; isso, sem dúvida refletirá em seu comportamento, enfatize-se, seu comportamento no trânsito. 

Atrair e contratar profissionais sem que haja uma avaliação mais criteriosa e técnica pode significar riscos financeiros, pois tal ação aumenta a possibilidade de inadaptações e consequentemente, demissões, voluntárias ou não, o que repercute nos resultados e na imagem da empresa. Pode ainda, significar um risco mais grave, o de engrossar as tristes estatísticas no que diz respeito aos acidentes de trânsito, sendo esse, sem dúvida o pior deles. 

Segundo o BPTRAN, no Estado do Paraná, no ano de 2010 ocorreram 43.800 acidentes de trânsito envolvendo vítimas fatais; um dado como esse não pode ser desconsiderado, e todas as pessoas e instituições tem algum grau de responsabilidade sobre isso, e de algum modo podem participar a fim de, no mínimo, buscar reduzir essa infeliz realidade. 

Heloá Vitorino
Psicóloga
(CRP 08/3785)

Cacilda Aleixo
Psicóloga
(CRP 08/ /02422)

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